The New Matriarchyum blog da Apribrands

Ensaio · 15 minutos de leitura

O Feminino Cria, O Masculino Expande

E os dois estão dentro de você.

Por Priscila Ribeiro Campos

Grupo de estátuas das Três Graças
As Três Graças · © The Met Collection

Se eu tivesse que resumir numa frase tudo o que aprendi até agora sobre o Feminino e o Masculino, seria esta. E é dela que eu parto para te contar a viagem que me trouxe até este ponto.

✦

Querida leitora, leitor, leitore, começo dizendo que sou brasileira de nascimento, carioca. Uma cultura visceralmente marcada pela espiritualidade, pela religiosidade, pela crença na existência de algo além do material.

Ao longo de toda a minha abordagem é possível encontrar referências como Nassim Taleb, autor reconhecido por sua abordagem liberal no mundo das finanças (embora eu, pessoalmente, me considere social-democrata, sou fã dos seus livros e costumo usá-lo na minha narrativa), assim como autores conhecidos popularmente no Brasil, como o professor Hélio Couto, que aborda temas como energia, espiritualidade e física quântica dentro do mesmo terreno.

Por isso, assumo como estratégia narrativa falar dos dois mundos, o espiritual e o material, reconhecendo a possibilidade de gerar certos incômodos em quem me lê. Sei que por trás de uma mente pragmática existe, no mínimo, um certo magnetismo pelo mundo metafísico, assim como o contrário também é verdade. Por isso me dou a licença de transitar entre os dois, e te convido a aproveitar isso comigo.

Dito isso, vamos ao prazer.

A marca Apribrands e o blog The New Matriarchy nascem de um profundo desejo de Autoexpressão, que durante anos tentou tomar forma e naufragou.

Seja por uma limitação pessoal para expressá-lo, seja pela dificuldade natural que existe em tangibilizar o imaterial.

Apesar dos meus esforços, fui me cansando da minha própria autocrítica e, como quem tateia no escuro e encontra uma escada, busquei um corrimão para me orientar: a academia na Espanha. Mas vamos começar do começo.

Em janeiro de 2020, recebi por meio de insights a informação de que a Divindade Oxum queria me apresentar a uma nova etapa, com a Deusa Ísis. Isso aconteceu de forma muito clara e sem rodeios: ela simplesmente se apresentou mentalmente e me disse que, a partir de então, teria uma mensagem a me transmitir. Desde aquele momento, comecei a cultivar dentro de mim um afeto pela Deusa Ísis, também como mãe.

A mensagem da Deusa era simples: eu devia entrar nas organizações, no “mundo corporativo”, e falar do Poder do Feminino às pessoas que estão ali.

A questão é que, para falar, primeiro eu precisava entender do tema.

E aqui começou a viagem.

Prateleiras com vasos de barro iluminados

Comecei estudando as deusas, as mitologias, e isso fez muito sentido - foi fácil, porque eu já tinha feito uma pesquisa profunda no mundo dos arquétipos e trabalhava profissionalmente com eles. Só que, à medida que o tempo passava, fui afundando em tanto conhecimento, tantas perspectivas, tantas direções, que já não sabia nem em qual me apoiar para desenvolver o meu trabalho.

Naquele momento, gostei de me aprofundar nas deusas da mitologia grega, e me senti profundamente acolhida por elas.

Como todo mundo sabe, o ano de 2020 ficou marcado na História pela pandemia. E, contrariando qualquer expectativa, enquanto o mundo se trancava em casa, eu vendi todos os meus móveis, entreguei meu apartamento e fui morar num hotel.

Por um lado, muito interessante. Por outro, para quem estava nesse processo intenso de investigação de histórias da Antiguidade e ainda tinha que lidar com tanta gente, foi uma nova camada inesperada.

Isso porque, assim como eu, outras pessoas fizeram o mesmo, e havia ali uma comunidade de pessoas que trabalhavam online e viajavam pelo mundo. Havia muita informação para conciliar.

Se por um lado a comunidade de nômades me acolheu, por outro foi um grande desafio aprender os limites entre o individual e o coletivo.

Até que uma cliente, que conheci dentro dessa comunidade, me apresentou ao professor Helio Couto. Em paralelo aos estudos das mitologias, comecei a ouvi-lo, e em certo momento do percurso dos seus cursos ele fala sobre “o equilíbrio do Feminino e do Masculino”.

Naquele momento, lembrei do que uma entidade - um espírito que trabalha atendendo e ajudando as pessoas, chamada no Brasil de Pombagira - me disse assim que comecei os estudos: “Você fala da importância dos dois, não só do Feminino. Com o tempo você vai entender.”

Quando ouvi o professor Hélio Couto falar sobre o equilíbrio do feminino e do masculino, e isso cada vez se tornaria mais popular, quase uma tendência, eu senti: era esse o tema. Eu tenho que falar disso.

Agora, com o tempo, percebi a dificuldade que era e ainda é falar do Feminino como princípio, desenvolvimento e fim. Como uma história que se fecha.

Isso é impossível.
O Feminino é a Vida, a Morte, o Renascimento.

Investigar o Masculino dentro de mim, mulher, foi o meu caminho inicial. Porque, embora sensível, intuitiva, observei como o meu masculino era muito presente, em tudo. Sem certezas de onde começa um e termina o outro, passei a ter consciência de que os dois coexistiam dentro de mim.

Aqui falo como quem sente e como quem observa ao mesmo tempo - e foi observando que me dei conta: esse meu masculino, muitas vezes, afetava, embargava, boicotava o Feminino.

Claro, isso me levou a ler sobre o Patriarcado.

Mãos segurando um vaso claro contra uma blusa de linho

A partir da observação e da leitura de análises sobre o sistema gerido pelo patriarcado, vi o quanto o meu Feminino era tímido, até recatado.

Sabe o que é mais interessante? E aqui misturo um pouco de Astrologia, porque também é uma linguagem que uso para pensar essas coisas: a característica de “Autovalor” vem do Feminino.

Na Astrologia, nós a vemos na casa 2, chamada “Casa do Autovalor”, regida pelo planeta Vênus por meio do signo de Touro, pertencente ao elemento Terra - energia Feminina.

Quando uma pessoa tem o Feminino pouco ancorado, pouco visto, pouco desenvolvido, tende a duvidar de si mesma. Afinal, quem nos sustenta é a terra: se você duvidar, olhe para baixo dos seus pés, plante os dois pés no chão e sinta a terra te sustentando.

Estamos todos sobre a terra, ancorados e embalados por ela. Quando estamos desconectados dela, desconectados do Feminino em nós, começamos a oscilar, a duvidar de nós mesmos.

Mãos segurando um vaso claro contra uma blusa de linho

Já ouviu a frase “Por trás de um grande homem, há uma grande mulher”? Ou “A mulher é o pilar da casa”?

As pessoas com muito Masculino à frente, muita energia masculina, independentemente da sua Identidade de Gênero, precisam desenvolver o Feminino dentro de si para poder ser e se sentir cada vez mais autênticas. Senão, estarão curiosamente sempre dependendo de alguém com mais energia feminina para se sentirem sustentadas. E por quê? Porque a Autenticidade pede terra firme.

Agora, onde está a literatura sobre o tema? Um aqui, outro ali, outro mais adiante - me parece que tudo continua muito tímido sobre um tema que está na ordem do dia:

o Feminino e o Masculino em todas, todos e todes nós.

O meu papel com os serviços da Apribrands e com o blog The New Matriarchy é reunir num só lugar o instrumental para que cada pessoa possa viver a sua própria viagem de Autoconhecimento.

Muito importante ter em mente: o processo é individual. Neste caso, o reconhecimento e a depuração do Feminino e do Masculino internos são uma investigação particular.

Ao começar a se aprofundar, você verá que existem centenas, se não milhares, de autoras e autores sobre o tema - e eu estou aqui, assim como sou nesta vida, me propondo a popularizá-lo. Mas posso afirmar, desde o minuto zero: a busca é pessoal, individual e visceral. Deve passar também pelo corpo e pelas emoções, ambos regidos pelo Feminino, aliás.

No meu caminho, fiquei muito feliz ao estudar o Taoísmo, depois o autor Pierre Bourdieu, maravilhada com Joseph Campbell, com a beleza e a firmeza de bell hooks, as análises arquetípicas de Jean Shinoda Bolen, Liz Greene, o próprio Carl Jung, entre muitas outras e outros. E ainda assim, cada vez mais, sinto que toda metodologia, relato, pesquisa, apresentação de ideias, reflexão, exercício prático, ritual ou retiro presencial de Feminino e Masculino - todos eles, sem exceção, trarão incômodo.

Não existe metodologia mágica de equilíbrio, igual para todos os seres humanos.

Este é um trabalho absolutamente personalizado, e por isso gera tanto incômodo.

Não há uma fórmula de grupo que gere aquela ideia de pertencimento que nós, seres humanos, tanto amamos e buscamos ao longo da vida.

O máximo que podemos alcançar é nos perceber como parte de um grupo que despertou para este tipo de investigação interna - o seu Feminino e o seu Masculino.

Bom, em alguns aspectos, sim, encontraremos simetrias, pontos em comum. Mas devo lembrar, de imediato, que em outros não. E é preciso ter consciência de que há etapas muito solitárias, e que, mesmo assim, a expansão exige que continuemos caminhando.

O encontro do rio com o mar ao entardecer
O encontro do rio com o mar · Bahia, Brasil

Vem, vamos viajar um pouco.

Entre criar e expandir, há Feminino e Masculino - assim como dentro do próprio Feminino há Feminino e Masculino, como vemos na figura mítica do Yin e do Yang. E isso tem uma delicadeza intuitiva e um refinamento intelectual que só um bom equilíbrio do Feminino e do Masculino em nós pode proporcionar.

Aprender a nutrir o Feminino e o Masculino está na ordem do dia para quem busca uma Vida Autêntica, com sentido e plena.

Ainda falaremos mais de Autenticidade.

Cordialmente,

Priscila Ribeiro Campos

Fundadora da Apribrands · The New Matriarchy

Território III

O Feminino e o Masculino

Se este texto falou com você, as mentorias de Sagrado Feminino e Sagrado Masculino são o lugar para vivê-lo em primeira pessoa.

Conhecer o território
← Voltar para The New Matriarchy